Acadêmica Yara Mochiaro fala da relação com a arte e da paixão pela pintura em live

A professora de português e literatura, pedagoga e diretora financeira da Academia Brasileira de Belas Artes (ABBA) Yara Mochiaro falou um pouco sobre a vida, o trabalho e sobre sua relação com a arte, em uma live do Jornal DR1, nesta terça-feira (13).

Nascida no Méier, no Rio de Janeiro, ela contou que a paixão pela arte vem desde a infância e que, durante a sua trajetória, contou com ensinamentos de mestres como Victor Meirelles, Ney Tecídio, Elvira Rafaela e José Luiz Carlomagno.

Os aprendizados adquiridos e o talento a levaram a participar de várias exposições nacionais e até internacionais, em países como Alemanha, Argentina e Portugal, e a conquistar diversos troféus e medalhas, honrarias que guarda com muito orgulho ao lado das suas mais de 300 obras de arte, na casa onde mora.

Yara, inclusive, é um dos artistas que participam do primeiro Salão Virtual da ABBA, criado pela também acadêmica Flory Menezes. A mostra virtual reúne 40 artistas, acadêmicos, atuantes, e apresenta estilos diversificados na perspectiva de inclusão das atividades da Academia no universo virtual.

Yara pertence a várias academias, mas disse na entrevista que integrar a Academia Brasileira de Belas Artes, à convite da presidente da entidade, Vera Gonzalez, foi a realização de um sonho.

 

Confira alguns trechos da entrevista:

Jornal DR1 – Como ingressou na carreira de professora e pedagoga? Teve influência dos seus pais?

Yara – Não tive influência nenhuma. Meu pai era ouvidor do Banco Central e nas horas vagas trabalhava com marcenaria. A minha mãe costurava e tinha uma chapelaria. E eu sempre quis ser professora e gostava de artesanato também. Trabalhei 25 anos com artesanato e cheguei a dar aula de porcelana por cinco anos. Só que depois que a minha filha casou, eu parei tudo e disse: ‘Agora vou me dedicar ao que eu gosto: à pintura, óleo sobre tela’. Gosto muito do impressionismo e, agora, também caí no moderno e contemporâneo, com o professor Carlomagno. Gosto de pintar rosto, paisagens bonitas, ciganas, aquelas ciganas bonitas, e outras coisas também. Eu vou pintando. O que eu posso, eu pinto.

Jornal DR1 – E de onde veio a paixão pela arte?

Yara – Desde pequena eu gostava de arte. Eu comecei com desenho. Depois, eu disse: ‘Tem que botar cores nessas coisas, nesses desenhos’. Foi aí que comecei a pintar. Depois, senti dificuldades, óbvio, e passei a procurar uma professora para fazer a coisa mais correta.

Jornal DR1 – Gostava mais de ser professora ou de fazer arte?

Yara – Das duas coisas. Me realizei como professora, trabalhei 32 anos. Fui muito querida pelos meus alunos. Até hoje, somos amigos. Mas chega uma hora que a gente quer parar. E, depois que parei tudo, fui me dedicar à pintura. 

Jornal DR1 – Quem foram os seus mestres? 

Yara – O primeiro foi Victor Meirelles. Comecei a pintar com ele óleo sobre tela. Fiquei um tempão, mas depois ele ficou muito velhinho. Aí, eu parti para o Ney Tecídio. Com ele, pintei muita aquarela. Fiquei com ele anos. Depois que ele parou, passei para a Elvira Rafaela, que morava perto da minha casa. Então, eu continuei com a Elvira, que por sinal já faleceu.

Jornal DR1 – Como foi participar de várias exposições nacionais e internacionais? 

Yara – Todas elas me trouxeram muita satisfação, muitas alegrias. A da Alemanha me marcou muito. Fizemos uma bandeira, eu e Vera Gonzalez. Ela fez uma e eu fiz outra. Foi uma coisa diferente: pintar uma bandeira, grande. No Brasil, fiz várias: no TRT, na Câmara, em clubes, restaurantes, em vários lugares.

Jornal DR1 – Tem algum artista em que você se espelha? 

Yara – Ney Tecídio. Os trabalhos são maravilhosos, o jogo de cores dele… Ele é solto, a pintura dele é solta. As aquarelas que ele fazia, lindas. Você via o rosto, mas sem linha nenhuma marcada. Muito bonito. Eu sou apaixonada por aquarela.

Jornal DR1 – E o que tem a dizer sobre os seus prêmios? 

Yara – A primeira menção honrosa que recebi foi em 81. Depois, recebi uma medalha que me emocionou muito: foi com a Vera Gonzalez, uma medalha de mérito. Ganhei troféus, várias medalhas, e tava virando uma rotina, mas a primeira medalha e a última me emocionaram muito. A primeira foi com uma aquarela e a última foi concedida por Vera pelo meu trabalho e meu desempenho na Academia. Esse reconhecimento é maravilhoso. Dá cada vez mais vontade de pintar, de fazer coisa bonita, de participar.

Jornal DR1 – O que diria para quem está começando a fazer arte?

Que não pare nunca. Nas horas vagas, desenhe. Mesmo com dúvida, desenhe, pinte, faça. Depois pergunte ao professor onde errou, como consertar, porque é assim que a gente aprende. Tem que ser honesto e gostar do que faz. Aí você vai embora.

Jornal DR1 – E o que pensa para o futuro?

Yara – Eu não quero parar, não. Vai ser agora até o fim dos meus dias.

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