A possibilidade do novo em tempos de confinamento

A medida em que a humanidade se abriga, em seu universo particular, iniciado pela sedução dos dispositivos tecnológicos e hoje motivada pela pandemia do Covid19, multiplicam-se os posts recomendando aulas de artes, dança, culinária, fotografia, artesanato e praticamente tudo para todos os gostos e possibilidades. Mas apesar de toda essa  a importância da criação e da arte nesse momento de crise, pouco resultado ainda temos visto. Afinal, não é assistindo à uma demonstração on-line de como se pinta uma aquarela ou num documentário de História da Arte Barroca que estamos, de fato, valorizando a arte ou mergulhando nela.A arte é única e é esperado que o processo de criação apresente as diferentes subjetividades daqueles que a criam pois,apesar da atmosfera de insegurança que paira sobre nós, a arte segue seu curso mostrando a sua capacidade de renovação para todos que a ela se unem. Conforme dito no nosso último encontro, aqui no Jornal Posto Seis, da peste negra à gripe espanhola, os artistas, não somente mostraram em suas artes a realidade da época como também apresentaram tamanha mudança em suas formas de expressão, que foram capazes de gerar novos movimentos culturais.Não há como prever o futuro, pois ainda estamos tateando por um novo processo de reconstrução para o que virá, mas a mudança é inevitável, pois nenhum de nós sairá dessa da mesma forma ou será o mesmo. Como afirma Lambert “Os artistas são pessoas que reagem ao que está ao seu redor e que registram as próprias reações em uma caligrafia própria – são pessoas que podem tornar tangíveis e visíveis sua realidade interior e sua imaginação. […] O artista segura um espelho diante de nós e obriga-nos realmente a ver, o que está à nossa volta”.

Mas afinal, o que significa essa CRIAÇÃO tão fundamental a arte? O dicionário Aurélio diz que é –“o ato ou efeito de tirar do nada: a criação do mundo – A totalidade dos seres, o universo visível – Produção, realização da obra, invento”. A definição da palavra nos apresenta uma ação quase mágica, mas esse “tirar do nada” surge realmente, não sei de onde,nos deixando inquietos até que a nossa ideia aconteça. Para criar é preciso abastecer nossa fonte com ideias, assim como leituras, filmes, novos lugares, novas pessoas e observar absolutamente tudo. Há aí bem mais do que o simples imaginar, é trazer algo da subjetividade para o concreto. É materializar. Esse processo necessita rabiscar, e ensaiar muito, pois cada detalhe faz toda a diferença.Criar uma obra de arte é como dar vida a um ser. É uma dor prazerosa. Quanto maior o amor e a dedicação, mais essa arte, que é parte de nós, nos realiza. E quando a obra está pronta, sentimos uma espécie de alívio, acompanha do pela sensação do dever cumprido e do desapego. A obra ganha vida própria. Então o artista exibe, orgulhoso, ao mundo, a materialidade de uma criação, que não mais lhe pertence, e parte pra um novo projeto….

Não dá pra falar de criação sem lembrar Fayga Ostrower, quando ela nos diz que: “O criar é tal como o viver, é um processo existencial”. […] A criatividade e os processos de criação são estados e comportamentos materiais no sentido próprio e também espontâneo, onde todo o fazer do homem torna-se forma, pois a criatividade é inerente à condição humana”. Assim, gostaria de fazer um convite a todos. Vamos aproveitar o novo tempo de confinamento para acordar o inesperado, permitindo-nos o exercício da criação pela ousadia do fazer, não importa se é pintando uma tela ou fazendo um sapato de crochê, esse é o  prazer de gerar ideias, materializando,a cada feito, uma parte do que está oculto em nós.

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